terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Blade Runner

Blade Runner :
Realizador: Ridley Scott
Com:
Harrison Ford,
Rutger Hauer,

"All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die."
"It's too bad she won't live, but then again who does?"
O filme constitui uma reflexão sobre o maniqueísmo do homem perante as coisas que cria. A perda de controlo sobre essa criação, o eterno dilema entre a criação e o criador.
Explora temas como a alienação da vida em relação à própria vida, à inevitabilidade da morte e à forma como acabamos por nos sentir mais vivos a partir do momento em que tomamos consciência de que a vida se extinguirá. As personagens permanecem presas a este conflito interior e ansiosas por encontrar aquilo que ninguém lhes pode dar: mais tempo.
A integridade humana é ameaçada pelos denominados replicants, ou seja, andróides perfeitamente concebidos com o íntimo desejo de serem seres humanos. Para combater e proteger a autenticidade humana foi criada a "Blade Runner", uma associação/corporação que persegue e abate estes mesmos andróides. Entre os Blades Runners encontra-se o mais mediático de seu nome Rick Deckard (Harrison Ford) que tem como missão abater quatro replicants foragidos.
Temas como o corporativismo, o moralismo, a vida e a morte, a distinção entre humanos e máquinas, a paranóia, a clonagem, entre outros, são temas fulcrais e ainda hoje actuais.
É extremamente interessante a forma como os replicants lutam pela preservação e prolongamento da vida sendo clara a analogia ao desejo egoísta do ser humano enquanto ser racional.
Depois, há aquele duelo entre homem e máquina. Mas será que existe mesmo uma distinção? Afinal, aquelas máquinas são detentoras de memórias, são capazes de raciocinar, possuem uma inteligência idêntica ou mesmo superior relativamente aos seus criadores e, acima de tudo, são capazes de sentir. Dito isto, a diferença torna-se irrisória e inconsequente. Além do mais, os replicants comportam-se cada vez mais como humanos quando pensam na aproximação do fim da vida.
Dito isto, estes não passam de escravos injustamente utilizados pelas grandes corporações com vista ao lucro fácil e livre de custos.
O feminismo, ao longo do filme, também é um tema complexo já que a mulher é vista como puro objecto sexual, sendo, portanto, mais uma dura crítica à não emancipação da mulher na sociedade. Também a fragilidade da nossa passagem pela vida na Terra é mencionada já que, mais tarde ou mais cedo, seremos esquecidos, disfarçados pelo tempo.
A memória torna-se fundamental enquanto plano existencial próprio e de terceiros revelando-se uma faculdade fulcral para a sanidade de um indivíduo. A diversidade temática é de facto notável e muito mais poderia ser dito.
Por exemplo, a cidade de Los Angeles (ano 2019) não é apenas um lugar, ou uma distopia, mas também uma remissão ao inconsciente, que implica uma fusão temporal : convivem aqui, passado, presente e futuro, como dimensões indiferenciadas – carros no formato de espaçonaves, búfalos, elefantes, pássaros e unicórnios; prédios e painéis luminosos futuristas, mas igualmente ambulantes e restaurantes populares ao nível do passeio público; gangues com indumentária démodé.
Por isso, Los Angeles é um não-lugar, um amálgama de povos e costumes; a própria representação da compressão espacial que a contemporaneidade inaugurou, e que vive igualmente na forma de uma contração progressiva do tempo - como experiência compulsiva de aceleração.Neste contexto, o andróide permanece como uma criança eterna, emocionalmente instável e, portanto, potencialmente perigosa; incapaz de solucionar seus conflitos internos, pois não possui, estritamente falando, uma personalidade ou uma individualidade; experiências.Aqui a sua perfeição técnica, considerada do ponto de vista das habilidades e da potência física, supera o homem, acaba por apresentar um problema estritamente social segundo uma representação tecnológica, ou seja, a incapacidade de interagir com o mundo, de modo a criar vínculos afetivos.
Concluindo, Blade Runner contempla teorias contemporâneas que descortinam uma possível pós-modernidade. O conflito que emerge ainda no seio da modernidade e que se torna crucial na pós-modernidade: como derrubar um sistema, sem criar outro, ou como acabar com as meta-narrativas legitimizadoras, sem recorrer a uma?
Sob o peso das meta-narrativas hegemónicas da modernidade: cristianismo, capitalismo, comunismo, progresso científico; questionar ou perder a fé nestas narrativas significa que o sujeito passa a questionar a sua própria subjectividade, ao invés de simplesmente delegá-la à colectividade do sistema de autenticação social.
A questão da história e do devir são assim, temas centrais no filme Blade Runner. Lapsos temporais transformados em narrativas, em que cada um deles é instituído de causa e efeito; onde as Eras se sucedem uma após outra seguindo uma lógica dialéctica.
Deixamos-vos a cena final que é uma bela reflexão sobre a memória e consequências dela.
Boa Sorte para o teste!
Por: Olga Pinto

4 comentários:

  1. o filme foi actualizado em 2007 não foi?

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  2. Essa crítica está perfeita!!! Parabéns a quem escreveu!! Está muiiito boa mesmo!! Na verdade o blog como um todo está bem estruturado e muito informativo. Gostei da criatividade imposta ao mesmo!!

    Muito bem meninas!!

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  3. eheh Michelly não obrigada pelo comentário eeheheh já sabes depois pagamos-te o café que te prometemos ; ) ehehehehhe

    Beijokas! Esperamos que o teste tenha corrido bem a todos, porque a nós hummm... é melhor não comentar :D

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  4. Andam a pagar os elogios? eu também quero... acho o vosso blog maravilhoso, vá lá... :D

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